quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Santa Bernadette: "Eu não sou boa para nada!"

Santa Bernadette ingressou no convento Saint-Gildard, pertencente à Congregação das Irmãs da Caridade de Nevers, onde faleceu com a idade de 35 anos. Seu corpo incorrupto encontra-se ali exposto numa urna e capela especial.
Embora sua vida no convento tenha sido curta, ela deixou muitas lembranças.
Aquele convento era o noviciado das Irmãs da Caridade de Nevers. Após completarem sua formação, as religiosas novas eram encaminhadas a alguma das diversas casas da Ordem.
A distribuição pelos conventos da França era feita no próprio momento da profissão religiosa.
A superiora combinava previamente com o bispo o melhor destino para as freiras.
Na cerimônia, cada uma delas se apresentava ao arcebispo, e este lhe perguntava:
– “Vossa Caridade, para o que é que é boa?” – expressão francesa para dizer o que é que sabe fazer melhor.
A religiosa normalmente respondia: cuidar de doentes, educar crianças, cozinhar, costurar, etc., segundo sua experiência ou inclinação.
Após ouvir sua resposta, o arcebispo lhe indicava o convento para o qual estava destinada, entregava-lhe o Crucifixo da Ordem, o “Livro das Constituições” ou regra da Ordem, bem como a carta de obediência.
Porém, o caso de Santa Bernadette era complicado, pois ela era muito procurada por pessoas que queriam vê-la ou conhecê-la.
Nessas condições, sua vida religiosa ficaria muito atrapalhada por visitantes a toda hora.
A Superiora-geral, Madre Josefina Imbert, e o arcebispo de Nevers, Mons. Teodoro Agostinho Forcade, combinaram então um piedoso ardil para que ela ficasse sempre na clausura da Casa Mãe.
A profissão aconteceu em 30 de outubro de 1867. A turma de Santa era composta por 44 novas religiosas. Cada uma ia sendo chamada, tendo a cerimônia se repetido com cada uma. Santa Bernadette ficou para o fim.
Sentado num troneto, D. Forcade voltou-se para a Superiora-geral, Madre Josefina, e perguntou-lhe:

Enfermaria do convento onde trabalhou e morreu Santa Bernadette
– “E a irmã Maria-Bernarda?” (nome religioso de Santa Bernadette).
– “Monsenhor, ela não é boa para nada!”
Madre Josefina disse-o sorrindo e a meia voz, para que poucos ouvissem, segundo contou a irmã Caldairou.
Era a vez de Santa Bernadette, que se aproximou do prelado.
Ele falou em alta voz:
– “Irmã Maria-Bernarda, a lugar nenhum!”
E depois, voltando-se para a santa, perguntou:
– “É verdade, irmã Maria Bernarda, que Vossa Caridade não serve para nada?”
– “Isso é bem verdade”, respondeu Santa Bernadette.
– “Mas então, minha boa filha, o que é que Nós poderemos fazer com V.?”
– “Eu vos disse bem isso em Lourdes, quando Vossa Excelência quis que eu entrasse na comunidade; e V. E. respondeu que isso não tinha importância”.
Nesse momento a Superiora-geral interveio, e disse:
– “Se Vós o desejais, Monsenhor, nós poderíamos conservá-la conosco por caridade na Casa Mãe, e empregá-la de alguma maneira na enfermaria, ainda que não seja só para fazer a limpeza e preparar as tisanas. Como ela está sempre doente esse será seu melhor lugar.”
Aquiescendo, o arcebispo voltou-se para Santa Bernadette.
– “Eu vou tentar”, respondeu ela.
O bispo tomou então um tom solene e determinou:
– “Eu vos dou a função da oração!”.
Após a cerimônia houve recreação, não tendo Santa Bernadette se mostrado nada ressentida ou ofendida.
A história posterior mostrou que fora a melhor decisão possível.
Santa Bernadette empregou sua vida religiosa no cuidado das freiras doentes e morreu na mesma enfermagem que a viu santificar-se ainda mais.
Fonte: Associação Devotos de Fátima